Os eixos temáticos representam grandes áreas de interesse dentro da formação de professores e educação, abrangendo diferentes aspectos teóricos, metodológicos e práticos. Cada eixo temático concentra-se em uma dimensão específica da formação de professores, como teoria e prática educacional, políticas públicas, diversidade cultural, tecnologia educacional, entre outros. Os eixos servem como diretrizes para a organização dos trabalhos submetidos ao congresso, agrupando-os de acordo com suas temáticas principais.
Questões orientadoras
As questões orientadoras são propostas para ajudar você a compreender melhor o foco de cada eixo temático e a organizar seu trabalho de forma mais coerente com os objetivos do evento. Elas indicam aspectos específicos que podem ser abordados, incentivando reflexões críticas alinhadas ao tema central. Pode utilizá-las como referência para estruturar seu trabalho.
Foco: Discussões sobre a formação inicial e continuada dos profissionais da educação, incluindo as licenciaturas, os impactos das Diretrizes Curriculares Nacionais, os programas de iniciação à docência, as políticas de desenvolvimento profissional e as práticas formativas desenvolvidas nos sistemas de ensino e no contexto escolar.
Justificativa: A formação dos profissionais da educação é um dos principais campos de disputa, tanto ideológica quanto mercadológica. Problematizar a formação sob a ótica da resistência significa defender um currículo que valorize a autonomia intelectual dos profissionais da educação, a indissociabilidade entre teoria e prática e o desenvolvimento de uma identidade profissional crítica, reflexiva e socialmente comprometida.
Questões orientadoras:
Como as políticas de formação inicial e continuada têm impactado a prática dos profissionais da Educação na Educação Básica?
De que forma os currículos das licenciaturas dialogam com os desafios contemporâneos da escola pública?
Quais experiências de formação têm contribuído para o fortalecimento da identidade profissional dos profissionais da Educação?
Como articular teoria e prática nos processos formativos dos profissionais da educação?
Foco: Debates sobre planos de carreira, piso salarial, precarização e “uberização” do trabalho pedagógico, além de estudos e relatos sobre a saúde física e mental dos profissionais da educação no cotidiano escolar.
Justificativa: Não haverá educação pública de qualidade sem a valorização de seus profissionais. É urgente debater as condições materiais e institucionais em que o trabalho se realiza. Dentro de um cenário de crescentes cobranças e perda de direitos, dar visibilidade às lutas por carreira digna e ao adoecimento é um ato fundamental de denúncia e resistência.
Questões orientadoras:
Quais são os principais desafios relacionados à valorização dos profissionais da educação?
Como as condições de trabalho impactam a saúde física e mental dos profissionais da educação?
Quais políticas públicas podem contribuir para a valorização e permanência dos profissionais nas redes de ensino?
Como enfrentar os processos de precarização e intensificação do trabalho dos profissionais da educação?
Foco: Relatos de experiência, pesquisas e reflexões sobre o cotidiano escolar, as práticas educativas desenvolvidas em diferentes contextos de ensino, a gestão democrática, as metodologias inclusivas, a valorização da diversidade (gênero, raça/etnia, sexualidade e inclusão escolar) e os processos de construção da autonomia profissional, pedagógica e institucional diante das demandas e pressões que incidem sobre a educação contemporânea.
Justificativa: O cotidiano escolar é o espaço vivo onde a "educação em disputa" se materializa. É no exercício profissional dos diversos sujeitos da educação que currículos, políticas e orientações institucionais são interpretados, ressignificados e transformados em práticas educativas. Este eixo apresenta-se como um espaço para acolher a riqueza das práticas pedagógicas reais, mostrando como a escola resiste a tentativas de silenciamento e padronização.
Questões orientadoras:
Como as práticas pedagógicas têm contribuído para a construção de uma educação crítica, democrática e emancipatória?
De que forma os profissionais da educação enfrentam os desafios cotidianos impostos pelas desigualdades sociais, culturais e educacionais?
Quais experiências promovem inclusão, diversidade e equidade no ambiente escolar?
Como a gestão democrática fortalece os processos de ensino, aprendizagem e participação da comunidade escolar?
Como fortalecer a autonomia profissional, pedagógica e institucional dos sujeitos da educação frente aos processos de padronização, controle e racionalização que incidem sobre o trabalho educativo?
Foco: Estudos e análises sobre o Sistema Nacional de Educação, os Planos Decenais de Educação, o financiamento da educação pública e o Fundeb, as reformas educacionais contemporâneas, as disputas em torno das políticas públicas educacionais, os processos de privatização, terceirização e plataformização da educação, bem como as estratégias de fortalecimento da gestão democrática, da participação social e da garantia do direito à educação pública de qualidade socialmente referenciada.
Justificativa: Compreender as disputas presentes no cotidiano das instituições educacionais exige a análise dos processos macropolíticos que orientam a formulação, o financiamento e a implementação das políticas públicas de educação. As disputas em torno dos recursos públicos, as reformas educacionais, os processos de privatização, terceirização e mercantilização da educação, bem como as diferentes concepções de gestão e participação social, impactam diretamente a garantia do direito à educação previsto na Constituição Federal. Este eixo justifica-se pela necessidade de analisar criticamente essas políticas, acompanhar seus desdobramentos nos sistemas de ensino e contribuir para a construção de propostas que fortaleçam a gestão democrática, o financiamento adequado e a defesa da educação pública como direito social.
Questões orientadoras:
Quais desafios e perspectivas se colocam para o cumprimento das metas dos Planos Decenais de Educação?
Como as políticas de financiamento impactam a qualidade da educação pública e as condições de trabalho dos profissionais da educação?
Quais são os efeitos dos processos de privatização, terceirização e mercantilização da educação pública?
De que forma os conselhos de educação, fóruns e demais instâncias participativas contribuem para o fortalecimento da gestão democrática?
Como construir políticas educacionais comprometidas com a equidade, a inclusão e a garantia do direito à educação para todos?
Foco: O uso de TDIC (Tecnologias Digitais de Informação e Comunicação) e de ferramentas de IA no ensino, os desafios da exclusão digital, a proteção e a ética no uso de dados educacionais e o papel dos profissionais da educação diante das plataformas digitais de ensino.
Justificativa: A digitalização da educação e a chegada da Inteligência Artificial ao cotidiano escolar representam uma das fronteiras mais recentes e intensas de disputa. A inclusão deste eixo abre para o debate sobre como a tecnologia pode e deve ser utilizada como ferramenta de emancipação e apoio pedagógico, sem que isso resulte na desumanização do processo de ensino-aprendizagem, na perda da autonomia dos profissionais da educação ou na ampliação das desigualdades sociais.
Questões orientadoras:
Como a Inteligência Artificial está transformando os processos de gestão, ensino e aprendizagem?
Quais princípios éticos, pedagógicos e legais devem orientar o uso da Inteligência Artificial na educação, considerando a proteção de dados pessoais, a transparência, a equidade, a inclusão, a autoria intelectual e o cumprimento da legislação vigente?
Como garantir que as tecnologias digitais contribuam para a inclusão e não para o aprofundamento das desigualdades?
De que forma preservar a autonomia dos profissionais da educação em contextos cada vez mais mediados por plataformas digitais?